segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ode ao coração

Tu-tum, tu-tum..............TUM, tu-tum..............TUM, tu-tum, tu-tum..............TUM

E foi assim, do nada, que meu coração passou a bater.


Era aquela sensação de achar que a escada já acabou, mas ainda falta um degrau; ou um susto grande (daqueles genuínos, tipo "caralho, roubaram minha carteira" e não um "BU!"), ou um encontro inesperado, ou um desejo muito intenso, ou tanta coisa. Nesses momentos, o coração dá um salto errado e você sente um treco, um negócio, uma coisa. Logo depois, tudo volta ao ritmo normal.


O meu não voltou, e a sensação de degrau inesperado era praticamente constante.


De repente, fiquei consciente de sua existência o tempo inteiro, e desejei com todas as forças que tudo estivesse bem com ele. Sentia-o batendo fora do ritmo naquele espacinho entre as clavículas, como se tivesse subido pela garganta e desistido de sua estadia dentro do meu corpo. E se eu morrer? Meu coração está desistindo de mim? É um sinal? Ele está começando a falhar? Soa dramático, eu sei, mas é inevitável pensar nesse tipo de coisa quando o principal órgão do corpo começa a hesitar. E seria o segundo órgão a se rebelar dentro de mim – o primeiro foi o pâncreas, com o qual tive uma discussão e até hoje não nos falamos.


Eu podia sentir meu coração conectado a cada canto de mim, bombeando por cada veia que se estendia pelos meus braços e chegava às pontas dos dedos e embaixo das unhas; que passava pelo couro cabeludo, pelas bochechas, pelo joelho, pelo saco e pelo umbigo. É o maior clichê de todos, mas percebi que tudo está, de fato, ligado. Você até pode viver sem um cérebro funcional, mas não sem coração. Não é à toa que consideramos o coração o órgão das emoções – o órgão que salta de alegria ou acaba em pedaços.


Depois de alguns exames e consultas médicas, fui absorvendo a ideia de que é uma arritmia genética, algo com o qual meu pai e minha irmã convivem faz tempo. E que estava, como sempre, muito relacionado a stress e ansiedade. Deve ser bom sinal, então, o fato de ele ter voltado ao normal.


Só sei que quero meu coração bem, forte, saudável. Quero que ele bata, literal e metaforicamente, pelas coisas boas. Não faço questão de que bata no ritmo o tempo todo – só faço questão, do fundo do meu coração, que esses saltos sejam por bons motivos.

0 palpita, coração!:

Postar um comentário

Palpita, coração!